sexta-feira, 20 de abril de 2018


SENTIMENTOS



Não devia haver PARTIDA
Porém, só a chegada
A ave que não canta bem
Ela  fica calada
O poeta sem o dom
A rima é tapada.


A AMIZADE é uma coisa
 Eu não sei quem inventou
Se você me diz que é boa
Provo que você errou
Se ela é tão boa assim
Por que amigo levou?


A SAUDADE esta sim
Não engana a ninguém
Quando na tua chegada
Veja  ela sempre vem
E quando é na tua saída
Te acompanha também.


O AMOR, este é perverso
Dói dentro do coração
Se chega ele vem junto
Se dizendo de irmão
Se sai ele vai embora
E deixa todos na mão.

A CONVIVÊNCIA também
Chega a desagradar
Enquanto durar é doce
Não se pode reclamar
Porém, doce amargo
Quando ela faltar.

A LEMBRANÇA é outra coisa
Digo pessoalmente
Lembrança nós já sabemos
Pensar alguém ausente
Quando é grande nem o médico
Tira  ela da gente.

O CARINHO de todo dia
É também um doedor
Se a gente fica sem ele
Perde parte do amor
É um caminho que sempre
Nunca trás o que levou.


E esta tal de DESPEDIDA
Quem será que inventou?
Esta eu tenho certeza
Nunca soube do amor
E no prato dos felizes
Comia o que sobrou.



O que você quer fazer
Basta ter fé e dizer
Na fazenda tem as vaca
E as uveias amojada
Pari uma atrás da outra
Rebain em disparada
Tudo isso nos contenta
A nossa alegria aumenta
Com a chuva abençoada.

Berra uveia no chiqueiro
Durante o inverno inteiro
Grita mocó no serrote
A onça pega de furto
E a cobra pega de bote
Dúzia meia de cangalha
Diz por ai e espalha
Tem trinta e seis cabeçote.

O relâmpago tem peixeira
Que não comprou lá  na feira
Rasga o bucho do trovão
A terra fica amojada
Vai ser pai o meu sertão
O fruto chega ligeiro
Feliz aboia o vaqueiro
Nasceu o filho, feijão.

De nada me arrependo
Pois, vem a grota correndo
Menino no cangapé
Cinco hora a gente acordo
Com o cheiro do café
Na beira d’água a Maria
Com seu corpo de alegria
Vontade de tomá mé.

Agora venho chegando
Mas acho que não cheguei
Pois, procurei  não achei
Pensei que estava completo
Mas, não tavá  nem no mei
Eu acho que o que faltava
Vai chegar pelo correi
Você pode até jurar
Mas eu juro que não sei.

Eu pedi, mas não me deram
E o que me deram eu perdi
Do outro lado da serra
Mas, eu juro que eu vi
Mesmo sem sair de casa
Posso afirmar que parti
Mesmo tando arretado
Mesmo apanhando na cara
Eu nunca me arrependi.

Quem faz alguma coisa
Tá esperando o resultado
Quem não sabe andar na vida
Por esta vida é multado
O açúcar só doce
Porque o sal é salgado
Quem bebe todos os dias
Todo dia é embriagado.

Quem só anda com “qualquer”
É um “qualquer” também
Não precisa de escola
Para a gente querer bem
Quem quiser ver a natureza
É só viajar de trem
Se ela ainda te ama
É só chamar “quela” vem.

Quem caminha tá mais perto
Qualquer hora vai chegar
Quem quiser grudar a boca
Coma tripa e jatobá
Se a distancia for curta
É só gritar pra chamar
A casa de todo rico
Tem hora de merendar.

Quem fica tá esperando
Eu não sei se pra parti
É bonito e caridoso
Quem o pão vem reparti
De todo mel que conheço
O melhor é o do jati
Mesmo sendo ele tão bom
Se quiser eu dou pra ti.

Já viram em pouca coisa
Se dizer tanta besteira
Mas também tem cada coisa
Se você andar na feira
Eu acho que tudo isto
Vem do tempo da parteira
Mas pra se ser bobo assim
Não precisa nem carteira.




VI UM HOMEM QUE CHEGAVA
ACHANDO QUE IA PARTIR
VI UM OUTRO DANDO ESMOLAS
PENSANDO QUE ESTAVA A PEDIR
VI A TRISTEZA ZANGADA
LÁ NA CASA DO SORRIR.


nunca eu soube fazer verso
Ou se sabia piorou
Quem faz verso que agrada
É chamado de Doutor
Se for assim eu não passo
De um simples lavrador.

Já vi gente nesta vida
O que ela faz eu não faço
Fazer um pote bonito
Modelar e da um traço
Sou um tocador de flauto
Tampo um buraco abro quatro.

Vi água pendurada em corda
A cabaça o cupim comeu
Vi um cego lá na feira
Enxergar melhor que eu
Um mudo contando história
De um surdo que se perdeu.

EU VI UMA MUIÉ HOMEM
NESSA ARTE DE LUTAR
ENFRENTAVA DEZ OU VINTE
SEM PRECISAR DESCANSAR
MAS QUANDO O FILHO DOENTE
SÓ SABIA ERA CHORAR.

Eu vi tudo nesta vida
Se for contar eu não sei
E quando estava caindo
No amor me segurei
E na rede da esperança
No outro dia acordei.

Olhei o caminho a frente
Pelo qual eu viajava
Lá na pensão da dor
Nem aluguel eu pagava
Mesmo assim eu descobri
Que a dor me enganava.

Eu não sei se nesta vida
Ainda falta muito eu ver
Se fico deste tamanho
Eu se ainda vou crescer
Só de uma coisa eu sei
Mas eu não quero dizer.

As cordas estão encurtando
O armador ficando alto
Eu não sei se é correto
O anão que usa salto
Quem tem estrada de barro
Não querer andar no asfalto.





FALANDO DE JESSIER QUIRINO


Eu nunca fui chamegozo
Não tive oportunidade
Mas chamegava de longe
Cum muita facilidade
Hoje não chamego mais
Pois, já passei da idade.

A forrageira  dos anos
O meu corpo vai quebrando
Bateu em cima  e no meio
Embaixo tá pendurando
Quem não concordar comigo
Tá mentindo e enganando

Mas devagar vou chegando
Coma quem que e não quer
Manhozo e amantegado
Macio Cuma a muier
Cabisbaixo e encabulado
Cuma o coitado do Zé.

Nunca soube fazer verso
E muito menos cordel
Mas Jessier quando escreve
É puro favo de mel
Quando  escrevo todos cospem
Pois, amarga como fel.

PRU-QUI-PRU-LI, PRU CULA
Fui ao mundo procurando
Nas AGRURAS DA LATA D’ÁGUA
Fui nas letras me afogando
Entre o PENTE E O REPENTE
Fui também me acostumando.


NA LUA DE TAPIOCA
A MERENDA CORRIQUEIRA
Não sou MANÉ CABELIN
Pra fazer tanta besteira
SONHADOR IMAGINANDO
Fazer verso de primeira.

VOU-ME EMBORA PRO PASSADO
Sou TURISTA BRASILEIRO
E com POBREMA CARDÍUCO
Vou COMÍCIO EM BECO ESTREITO
UMA PAIXÃO PRO SANTINHA
Eu tiro logo de eito.

A MORRENÇA DOS MEUS CUMPADE
Incoem meu coração
E encontro  na caneta
A TABA DE SARVAÇÃO
Me imbruio ALÉM DAS PRECES
P’ra Virgem da Conceição.

BAIXE AS ARMAR, COMENDADOR
É o BOLERO DE ISABEL
E o povo gritando amém
QUERENDO CHEGAR AO CÉU
ZÉ QUALQUER E CHICA BOA
Meu matuto de chapéu.

QUATRO AVE-MARIA BEM CHEIA DE GRAÇA
HÁBEAS-CORPUS PASSARINHO
Se o pássaro  ficar preso
Quem é que cuida do ninho?
O violão só é famoso
Porque é feito de pinho.

A MORTE DO MATADOR
Foi fato muito bonito
Foi um cuscuz de amor
Mistério do infinito
PAISAGEM DO INTERIOR
Aquele hino bendito.

Ô COISA BEM EMPREGADA!
Quem quer escrever sem saber
ALEM DAS PRECES quem segue
Vai se encontrar com o sofrer
Eu VOLTANDO P’RO NORDESTE
Um dia vou aprender.

MATUTO NO CINEMA
É aquela confusão
Ai vem a MANICURE
Que bota o povo no chão
O CUSCUZ DO DIA A DIA
A nossa alimentação.

NADA FAZ MAIS ZUADA
QUE TRÊS MULHER E UM PATO .
Só pra se ter ideia
Até o titulo reparto
MEU NOME NÃO TEM SUSTANÇA
Nem o meu verso tem tato.

Não sei o que pretendia
Eu só queria dizer
Engravidar minha mente
Não me perguntem de que
Feio, certo, errado ou torto.
Foi o que acabei de ler.

Pois, sei lá se Jessier
Não vai isto aqui guardar
E um dia qualquer  por ai
Zangado põe-se  falar
Que os versos daquele besta
Não da nem p’ra se limpar.

Mas pode ser ao contrario
Dentro da educação
Com o mel de jandaira
Untando seu coração
Diga que guarda um verso
Dum caboco  do sertão.

Minha mente aqui pariu
O que eu havia pensado
Conhecer o Jessier
Já no verso consagrado
E a besteira de sempre!
Meu povo muito obrigado.


Machado – Santa Quitéria-Ce

088 -96201615 – 088 3628-28-96


O SURDO CONTOU QUE OUVIU O MUDO DIZER QUE O CEGO TINHA VISTO UMA GRANDE COBRA ENGASGADA COM O CHIFRE DE UMA VACA MOCHA.

Eita que confusão
Que me vieram trazer
Pois, não dá para rimar
A  letra “A”com o ter
A história que contaram
Também quero entender.

Começa tudo com o surdo
Ouviu o mudo falando
E um cego muito esperto
Logo foi enxergando
Com o chifre de uma vaca mocha
 Cobra se engasgando.

Quem é mocho não tem chifre
Nem surdo vai escutar
Também o mudo não fala
Só sabe balbuciar
E o cego todos sabemos
Não poderá enxergar.

Termino sem entender
E sem poder explicar
Se a vaca tinha chifres
Sabia o mudo falar.
Mas se o surdo escutou mesmo
Viu  o cego enxergar


Então o que aconteceu
Quem tava tinha partido
O sentado tava em pé
Quando cheguei já tinha ido
Quem se odiava de morte
Era sempre o mais querido.


De manhã já era noite
O rico o pobretão
O amarelo da cor vermelha
Era o fígado o coração
Falar mal, de todo mundo.
A gente chama oração.

Termino sem entender
E sem poder explicar
Se a vaca tinha chifres
Sabia o mudo falar.
Mas se o surdo escutou mesmo
Viu  o cego enxergar.







Vi uma loja de moveis
Que pra mim é uma afronta
Mete a tora de madeira
Sai cadeira e mesa pronta
Sai inté o guarda roupa
Vassoura com pau e ponta.

Eu vi fabrica de cachaça
Que até hoje não entendo
A cana metem na maquina
E a gente só fica vendo
Na frente já sai a policia
No pobre bêbado batendo.



Wwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwww
FALANDO SOBRE A MULHER

Nonato Timbó -04188 996201615

Me abestaei por ela
Sem saber o que fazer
 Não podia mais dormir
E nem podia comer
Não dizia nada a ela
Pois, não sabia dizer.

Do alto de sua beleza
Eu via grande ternura
As pernas dois roçados
De muito inverno e fartura
Na mesa baião de dois
Com tocim e rapadura.

E o seu sorriso lembrava
lenda da fada encantada
O Sabiá e o rouxinol
Ensaiando uma cantada
Filhos, pais e mães
Numa única gargalhada.

Eu via Jessier Quirino
O Zé da Luz recitando
A  estrofe que dizia
Em minha mente ficando
Um momento eu olhei
Vinha Aderaldo chegando.

Via todas as cachoeiras
Pelo sertão a correr
As falenas lá no céu
O nosso sonho a benzer
Diluvio de todas cores
Pro Senhor agradecer.

Eu me amucambei de vez
Talvez perdi a razão
Eu era muito pequeno
Pra viver tanta emoção
Pra suportar tanta coisa
Só um outro coração.

E tudo e tudo que eu via
Creiam no que eu disser
A beleza aqui descrita
Chamem como quiser
Pois a beleza que disse
O nome dele é MULHER!